Reciclagem pode minimizar o aquecimento global

Um dos assuntos mais debatidos nos últimos tempos – por especialistas e leigos - tem sido o aquecimentoglobal. O efeito estufa está aumentando rapidamente devido à alta emissão de gás carbônico para a atmosfera e, segundo as projeções do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, a temperatura até o ano de 2100 deverá aumentar de 1,0°C a 3,5 °C e o nível do mar deverá subir de 20 cm a 86 cm, o que causará diversos transtornos para a sociedade mundial, principalmente para as populações carentes.

Para reduzir as emissões dos gases ligados ao efeito estufa, como o dióxido de carbono e o metano, a reciclagem aparece como uma prática fundamental. Para falar sobre esse tema, o Cempre Informa conversou com Eloísa Garcia, gerente de Embalagens Plásticas e Meio Ambiente do Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA), e com Guilherme de Castilho Queiroz, pesquisador do órgão. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

A importância da reciclagem para o clima do planeta

Os produtos alimentícios, materiais de embalagem e bens de consumo em geral consomem combustíveis fósseis e energia elétrica em seus ciclos de vida (durante a fabricação, o transporte etc.), aos quais estão sempre associadas emissões de gases de efeito estufa. Embora 93% do fornecimento de energia no Brasil seja feito por usinas hidrelétricas (que, se bem planejadas, não contribuem para o efeito estufa), os 7% restantes são gerados em termelétricas que utilizam combustíveis fósseis e emitem dióxido de carbono (CO2) e outros gases. A reciclagem deve ser vista como uma forte aliada para minimizar nossa influência nas mudanças climáticas, uma vez que permite a redução do uso de recursos naturais e evita as emissões associadas à fabricação das matérias-primas.

Como se dá o impacto da reciclagem

A reciclagem diminui a necessidade de exploração dos recursos naturais, "economiza" inúmeras etapas de produção e transporte (bens naturais, matérias-primas, materiais etc.) que geram emissões e contribuem para a mudança climática e reduz a disposição final, tanto de resíduos inertes (constituintes de embalagens como plástico, alumínio, aço, vidro etc.) quanto de restos de alimentos que, sendo biodegradáveis, também contribuem para o efeito estufa. No caso do alumínio, por exemplo, a reciclagem elimina uma etapa de alto consumo de energia: a transformação do minério em matéria-prima, diminuindo as emissões de gases.

Sua contribuição em números

Em todos os trabalhos de Avaliação de Ciclo de Vida que o CETEA realiza há mais de dez anos, o indicador ambiental de mudanças climáticas (aquecimento global devido às emissões de dióxido de carbono e metano, por exemplo) é tratado profundamente.

Esse é o caso do comparativo da produção de uma tonelada de latas de alumínio a partir de latas recicladas e de alumínio primário. Considerando todo o ciclo de vida da lata, esse estudo constatou que a reciclagem reduziu em aproximadamente 65% as emissões de metano e em torno de 80% as de dióxido de carbono.

Segundo dados do IBGE, o Brasil coleta 140 mil toneladas de “lixo” diariamente. Se assumirmos que cerca de 75% desse “lixo” (orgânicos + celulósicos) é fonte de carbono que poderia se biodegradar “totalmente”, transformando-se em emissões de dióxido de carbono, teríamos algo em torno de 228 milhões de toneladas de CO2 por ano sendo emitidas devido ao desperdício de produtos, tanto de alimentos em função de manuseio inadequado quanto da não reciclagem de materiais como os celulósicos.

Mais informações: eloisa@ital.sp.gov.br e/ou guilherme@ital.sp.gov.br