|
Uma política para o manejo de resíduos
O Cempre Informa (CI) tem acompanhado de perto o andamento da Política
Nacional de Resíduos Sólidos que vem sendo debatida no país há 16 anos.
Tramitam na Câmara mais de uma centena de projetos de lei apensados ao Projeto
de Lei 203/91. Há duas edições, o CI entrevistou o deputado federal do PPS
Arnaldo Jardim, autor da Política Estadual de Resíduos Sólidos de São Paulo, e,
neste número, publica uma conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, deputado federal do PT, sobre os trâmites da regulamentação.
Acompanhe:
Qual é a importância de o país controlar
o descarte de resíduos sólidos?
A Agenda 21, gerada na conferência do
Rio-92, inclui, entre seus programas, várias
ações relativas ao manejo ambientalmente
saudável dos resíduos sólidos.
Esse manejo deve compreender não
apenas o depósito ou aproveitamento
por métodos seguros dos resíduos gerados,
mas também a adoção de medidas
capazes de mudar os padrões de produção
e consumo. No Brasil, cerca de 230
mil toneladas de lixo são geradas por dia
e, de acordo com a Associação Brasileira
de Engenharia Sanitária e Ambiental,
apenas 3% dos municípios manejam
seus resíduos de forma adequada. Além
disso, estima-se que existam 12 mil lixões
espalhados em nosso território.
Como se pode justificar esse quadro?
Não se pode justificar esse quadro unicamente
pelas carências do poder público,
em termos de recursos financeiros
e humanos, para a gestão do setor. Apesar
de haver algumas resoluções do
Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama) disciplinando aspectos específicos
da gestão de alguns tipos de resíduos,
o Brasil carece de uma política
nacional que contemple diretrizes básicas
para seu manejo. Esse é o propósito de se ter reunido, em um único processo
legislativo, todos os projetos relacionados
ao tema.
Por que esse processo é tão moroso?
O processo é extremamente complexo,
pois envolve a análise de cerca de cem
projetos de lei que vão desde propostas
abrangentes de uma política nacional
de resíduos até aspectos específicos
e técnicos relacionados a embalagens,
reciclagem, pneus, pilhas e baterias
etc. Além disso, há alguns temas bastante polêmicos que afetam vários
setores da sociedade como a forma de
instituição legal do princípio do poluidor-
pagador, com regras para a cadeia
produtiva, e a responsabilidade pósconsumo. As normas discutidas extrapolam
os parâmetros da legislação tradicional
que simplesmente define regras
e punições. Elas demandam mudanças
profundas nos atuais padrões
de produção e consumo.
Existe perspectiva de votação?
A Comissão Especial constituída para
análise da matéria concluiu seus trabalhos
com a aprovação do parecer elaborado
pelo relator, deputado Cezar Silvestri.
Nos termos regimentais, a matéria
será agora apreciada pelo plenário da Casa. O processo já foi analisado, sendo
o PL 203/91 e vários de seus apensos
aprovados na forma de um substitutivo.
A matéria tramita em regime de urgência
e encontra-se pronta para apreciação
pelo plenário. Será incluída na ordem do
dia assim que houver acordo entre os líderes
partidários.
Como o Brasil se posiciona no cenário
internacional em relação a esse tema?
A crise ambiental em curso exige mudanças
no modelo de desenvolvimento adotado
até agora, incluindo como um dos
elementos essenciais o manejo ambientalmente
saudável dos resíduos. Entre os
exemplos internacionais relevantes
devem ser consideradas a legislação européia,
que contempla o conceito de ciclo
integral do produto e suas repercussões
em termos de obrigações para o setor privado,
e a legislação norte-americana que
trata de uma política nacional com precisão
de fontes de recursos financeiros, incluindo
a instituição de taxas sobre alguns
produtos perigosos e a definição
das responsabilidades governamentais e
do setor privado. Assegurado o respeito às nossas peculiaridades, esses diferentes
aspectos podem ser inseridos na futura
lei. É importante, sobretudo, que ela
espelhe os anseios de nossa sociedade.
 |
O deputado Arlindo Chinaglia é um dos convidados do III Recicle Cempre que será
realizado de 24 a 26 de outubro, em São Paulo Consultas e inscrições:
(11) 3917-2878 ou rmai.eventos@uol.com.br |
|

|