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LINHAS DE CRÉDITO DO BNDES APÓIAM COOPERATIVAS
Em outubro de 2006, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
aprovou o lançamento de linhas de financiamento para projetos de cooperativas de catadores
destinados a investimentos em infra-estrutura física, aquisição de máquinas, equipamentos,
móveis e utensílios e assistência técnica e capacitação dos cooperados em todo o país. Desde
então, outras linhas foram abertas, abrangendo dezenas de cooperativas. Para fazer um balanço
desse trabalho, o “Cempre Informa” conversou com Joelson Fagundes, coordenador de Serviço
do Departamento de Economia Solidária da Área de Inclusão Social do BNDES.

• Qual o total de recursos liberados
até hoje?
Realizamos dois ciclos de apoio ao segmento,
com 57 projetos enquadrados.
Já foram aprovados projetos que alcançaram
R$ 30,6 milhões, com a liberação
de mais de R$ 14 milhões da seguinte
forma: em 2007, R$ 242,4 mil; em
2008, R$ 8.752,0 mil; em 2009, R$
5.357,4 mil; e em janeiro de 2010,
cerca de R$ 500 mil.
• Qual o objetivo dessas linhas?
O objetivo principal é a inclusão de
trabalhadores da cadeia produtiva da
reciclagem por meio do atendimento às
necessidades de financiamento de suas
cooperativas, utilizando instrumentos
de crédito e fomento característicos de
um banco de desenvolvimento. O
BNDES busca, assim, gerar postos de
trabalho, aumentar a renda dos cooperados,
estruturar as cooperativas com
incremento da capacidade produtiva,
melhorar a gestão e as condições de
trabalho e reduzir o material enviado
aos aterros sanitários, prolongando sua
vida útil.
• Quantas cooperativas já foram
beneficiadas?
Foram aprovados projetos de 46 cooperativas.
Sua distribuição abrange 40
municípios de sete estados - Sergipe,
Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul – e
o Distrito Federal, sendo a maior concentração
em São Paulo e na Bahia.
Estimamos que sejam beneficiados diretamente
cerca de 3,2 mil catadores.
• Que tipo de projeto é financiado?
Os recursos destinam-se à aquisição de
equipamentos (prensas, esteiras e
mesas de catação, balanças, carrinhos
e caminhões), reforma e construção de
galpões, capacitação e assistência técnica,
organização de espaço administrativo
e seus implementos.
• Quais os critérios para concessão
do crédito?
Foram considerados passíveis de análise
do BNDES todos os projetos enviados
de acordo com os critérios de elegibilidade
e enquadramento jurídico, definidos
no “Roteiro Básico de Informações– Apoio a Cooperativas de Catadores de
Materiais Recicláveis” (disponível no site
do BNDES), além da regularidade previdenciária,
fundiária e ambiental. As
dimensões de pontuação mínima são:
articulação com o poder público, gestão,
capacitação dos cooperados, condições
de trabalho, inserção comercial e procedência
dos insumos.
• O BNDES tem obtido os resultados
esperados?
Sim. O acompanhamento das operações
revela que o apoio do BNDES elevou
a estruturação das cooperativas,
com a inclusão social dos catadores.
Além disso, proporcionou condições de
sustentabilidade financeira e operacional
durante a crise que alcançou o segmento
no último ano.
• Quais os maiores desafios e dificuldades
para colocar o programa em prática?
O grande desafio foi a baixa qualificação
dos cooperados, problemas na gestão
das cooperativas e dificuldades para sua
regularização jurídica - fundiária,
ambiental, previdenciária e cadastral.
Outro desafio é a falta de apoio e reconhecimento
das cooperativas como
agentes operacionais do sistema de
coleta de resíduos sólidos pelo poder
público municipal, de modo geral.
• Quais as peculiaridades do segmento que
precisaram ser compreendidas pelo BNDES?
O BNDES percebeu que, em alguns
casos, havia precariedade na gestão das
cooperativas com excesso de ingerência
externa. Também é importante que as
atividades das cooperativas estejam
desvinculadas da gestão das prefeituras
onde atuam para que não fiquem ao
sabor das mudanças de governo. A
independência política fortalece o trabalho
dos cooperados. O Banco se deparou
também com a exploração dos
catadores por intermediários. Foi feito
um trabalho, juntamente com a direção
das cooperativas, no sentido de aplainar
as divergências. O contato com os catadores
exigiu do BNDES um esforço para
ampliar a capilaridade do Banco para
atender aos pedidos das várias regiões
do Brasil.
• Desde seu começo, mudou algo
no programa?
O apoio do BNDES está disponível nas
mesmas condições, mas houve mudanças
na forma de receber os projetos.
Agora, eles são enviados via um parceiro
estratégico que neste momento é o Banco
do Brasil, por meio da divisão de
Desenvolvimento Regional Sustentável -
DRS, em suas agências.
Melhores condições de vida
Uma pesquisa feita pelo BNDES, em fevereiro de 2009, junto a
integrantes das cooperativas apoiadas pelo Banco detectou avanços
significativos na qualidade de vida dos cooperados e suas famílias,
bem como aumento da eficiência nas atividades. Os dados sobre a
gestão operacional demonstraram incremento do material coletado
(20,6%), do material processado (25,5%) e da capacidade de
processamento instalada.
O questionário foi respondido pelos próprios catadores (59% do
universo coberto pelo BNDES) e revelou também melhora no
relacionamento familiar (82%), nas condições de higiene (79,6%), na
alimentação dos cooperados e de suas famílias (78,85%) e no conforto
das moradias (69,3%). Outros avanços apontados envolvem melhorias
no ambiente de trabalho e no relacionamento entre os cooperados,
bem como na conscientização em relação a seus direitos e deveres.
Enquanto isso...
Ainda não foi votada no Congresso a Política Nacional
de Resíduos Sólidos que vem sendo debatida há quase
19 anos. Desde abril de 1991, quando foi apresentado o
Projeto de Lei nº 203, dispondo sobre o acondicionamento,
coleta, tratamento, transporte e destinação final dos
resíduos de serviços de saúde, a elaboração de uma
Política Nacional tem sido discutida de maneira
inconclusiva pelo Congresso.
O resultado desse atraso é a multiplicação de normas
e resoluções que se sobrepõem e, pior, algumas vezes se
contrapõem. A falta de um marco regulatório gera,
portanto, instabilidade em toda a cadeia relacionadaà gestão dos resíduos. Um dos grandes incentivadores de
uma definição para o impasse é o deputado Arnaldo
Jardim, autor da Política Estadual de Resíduos Sólidos do
Estado de São Paulo, sancionada em março de 2006. O
deputado continua otimista e acredita que o projeto de lei
deve ser aprovado em breve. “Nas primeiras sessões
após o recesso parlamentar, a discussão ainda se dá em
torno do pré-sal, mas há um consenso entre as lideranças
para que o projeto tenha prioridade nas votações”,
afirmou o deputado.
Evento reforça importância dos catadores
No ano passado, o Movimento Nacional dos Catadores de
Materiais Recicláveis (MNCR) deu um grande passo para a divulgação,
fortalecimento e profissionalização do segmento com a realização, em
outubro, da ExpoCatadores. O evento reuniu cerca de 3 mil pessoas,
no Mart Center, em São Paulo (SP), com uma programação que
incluiu oficinas, painéis, exposições de projeto e serviços e feira de
máquinas e equipamentos para coleta seletiva, seleção e triagem de
materiais.
Um dos pontos altos foi o Encontro Internacional de Catadores de
Materiais Recicláveis que recebeu delegações de 19 estados brasileiros
e representantes do Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia,
Equador, Paraguai, Costa Rica, Porto Rico, Peru e Índia. O evento
contou com um convidado muito importante: o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que discursou no encerramento do evento, dando seu
apoio à organização do setor.
Segundo Roberto Laureano,
representante do MNCR, a
Expocatadores atingiu
plenamente as expectativas
dos organizadores. “Foi um
espaço importante para a troca
de experiências bem-sucedidas
do Brasil e de outros países,
com a discussão de assuntos
fundamentais como a gestão de resíduos sólidos, financiamentos,
inclusão produtiva e políticas públicas. Tivemos também um forte
intercâmbio entre os setores e a divulgação de novas tecnologias”,
destaca. A ExpoCatadores 2010 deverá acontecer em junho.

Outro estímulo à reciclagem
No dia 23 de dezembro do ano passado, o
governo federal publicou a Medida Provisória n° 476
que cria incentivos à reciclagem por meio de
créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). A concessão será feita às indústrias que
adquirirem resíduos sólidos para utilização como
matéria-prima ou produtos intermediários na
fabricação de seus produtos. A MP estabelece que a
isenção só poderá ser usufruída se os resíduos
forem comprados diretamente de cooperativas de
catadores de materiais recicláveis. “O Cempre
participou ativamente das discussões desse projeto
que envolveu os diversos players do segmento e
constitui um importante benefício para os catadores
e a cadeia de reciclagem como um todo”, comenta
Heitor Bergamini, do Grupo Gerdau.
Para conhecer a íntegra da medida, acesse
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Mpv/476.htm

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