
Para valorizar
o cooperativismo
Em entrevista ao Cempre Informa, Hélder Muteia,
representante da Organização das Nações Unidas para
a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, fala sobre
a decisão da Assembleia das Nações Unidas de eleger
o cooperativismo como foco em 2012.
Por que a ONU tomou essa decisão?
Foi uma forma de destacar a contribuição das cooperativas para o
desenvolvimento socioeconômico da humanidade, principalmente no
que diz respeito ao combate à pobreza, à geração de postos de
trabalho e à integração social. O mundo terá este ano a oportunidade
de constatar quão presentes as cooperativas estão no nosso dia a dia,
produzindo bens materiais e serviços de valor inestimável. O mundo
poderá também tomar consciência da inquestionável natureza social
do ser humano. De que não vivemos de forma isolada. Que nos
conectamos em laços múltiplos, incluindo aqueles que nos permitem
produzir de forma organizada e coletiva.
Quais os objetivos traçados pela ONU para o ano?
Os objetivos são muitos e se reúnem em três grandes grupos: o
primeiro na linha de permitir que o mundo ganhe consciência da
importância e contribuição das cooperativas para o desenvolvimento
econômico, social e cultural e de como elas podem dar um contributo
fundamental para os Objetivos do Milênio; o segundo no sentido de
promover a formação e expansão das cooperativas nos diferentes
quadrantes da vida das comunidades; o terceiro no intuito de
encorajar os governos a adotarem um quadro legal e políticas
públicas que favoreçam a criação e as atividades das cooperativas.
Qual a importância das cooperativas na realização dos Objetivos
do Milênio?
As cooperativas asseguram maior participação das pessoas nas
atividades que visam alcançar os Objetivos do Milênio. Garantem um
desenvolvimento inclusivo e com sustentabilidade econômica, social
e ambiental. Ajudam a combater a pobreza, a gerar e distribuir
riqueza, atuam de forma privilegiada, contribuem para consolidar a
democracia, dignificam e dão poder à mulher e à juventude. Quando
uma pessoa está filiada a uma cooperativa, o seu capital socialé acrescido e isso lhe permite obter crédito e mercado em condições
mais favoráveis.
Leia a entrevista completa no site do Cempre,
no link "Cempre Informa Mais".
Maior visibilidade
Para Edivaldo Del Grande, presidente da
Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo
(Ocesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do
Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop/SP),
a escolha da ONU é uma oportunidade ímpar para
difundir os benefícios do cooperativismo. "Poucos
sabem, mas em países como Japão, Canadá e Estados
Unidos, mais de 50% da população é associada
a cooperativas. No Brasil, o cooperativismo já faz
a diferença: uma pesquisa da USP apontou que
o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é maior
nas cidades em que o cooperativismo é forte", conta.
Em relação às cooperativas de catadores
de materiais recicláveis, Del Grande destaca seu
papel fundamental na adequação dos município
brasileiros ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos.
"Por meio das cooperativas, não só a coleta, mas
a separação e a reciclagem dos resíduos podem ser
realizadas de forma eficiente, tornando-se
um excelente negócio. Do ponto de vista social,
as cooperativas permitem que os catadores tenham
acesso à formalização do trabalho, à estruturação
do negócio e à capacitação para aprimoramento dos
processos e gestão. É um caminho para que muitos
que vivem pelas ruas, catando recicláveis e vendendo
de maneira informal, passem a ocupar um espaço
importante no cenário socioeconômico brasileiro."
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Para saber mais:
www.onu.org.br