
Coleta seletiva, gestão integrada dos resíduos sólidos,
cooperativas de catadores, responsabilidade
ompartilhada... Passados vinte anos de sua criação – às
vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92 -, o Cempre tem
estado presente nas principais discussões em torno de
soluções eficientes e sustentáveis para a questão do lixo
urbano. Dessa forma, vem contribuindo significativamente
para o fomento e a consolidação do diálogo entre os
diferentes stakeholders que culminou com a aprovação da
Política Nacional de Resíduos, após 19 anos de tramitação.
Para celebrar esses primeiros 20 anos de atuação
e discutir os desafios para o futuro, o Cempre organizou,
no dia 14 de maio, um evento no Rio de Janeiro – desta
vez, às vésperas da Rio+20 – com representantes dos
diferentes segmentos direta ou indiretamente envolvidos
na busca das melhores alternativas para a gestão dos
resíduos sólidos urbanos. Empresários, jornalistas,
professores, pesquisadores, representantes da sociedade
civil, dos catadores organizados e membros do governo
trocaram experiências e visões, aprofundando um
intercâmbio que já é marca registrada do Cempre.
"A reciclagem é um dos temas mais
complexos de serem implementados com
a envergadura que o Brasil precisa.
Temos 5.565 municípios com realidades
extremamente diferentes que demandam
discussões e abordagens específicas
para equacionar a reciclagem e resolver
as questões ambientais, levando em conta
perspectivas sociais e econômicas. Entre outras necessidades,
precisamos mudar a cultura da gestão pública: temos que inovar
no controle e monitoramento dos resultados, com transparência
e acesso às informações. É preciso enxergar onde estão as
lacunas e como trabalharmos para eliminá-las, destacar quem está fazendo bem e dar escala para isso. Não se trata apenas de
oferecer recursos públicos ou de punir quem erra. Devemos ter
soluções estruturantes e permanentes. Para isso, os acordos setoriais são essenciais e vêm avançando muito a partir de um
diálogo bastante positivo com o empresariado para traçarmos
modelos eficientes e viáveis. Na outra ponta, temos que assegurar
a participação dos catadores na coleta seletiva, com autonomia,
independência e profissionalismo. Acredito que o cidadão já
acessou a informação que separar o lixo em casa é importante,
mas precisamos colocar o modelo em pé." Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente.
"Avançamos muito nesses 20 anos, mas
ainda há grandes desafios pela frente
para consolidar a chamada economia
verde. Temos que aumentar
consideravelmente a coleta seletiva
municipal, fechar os lixões e elevar o
número de cooperativas. A construção da
logística reversa é uma ação inédita: não
há p recedente no m undo d e c oalizão q ue r eúna g overno,
representantes das cooperativas, produtores de embalagens,
envasadores e varejo para discutir as melhores alternativas para
as diferentes realidades do país. Mas para que isso dê certo,
temos que atacar outros dois aspectos fundamentais. O primeiro
é a ampliação do mercado e do parque reciclador nacional. Não adianta a gente coletar e ter abundância de recicláveis se não
tiver quem queira esses materiais. Então, tão importante quanto
a modelagem da logística reversa é a necessidade de um plano
industrial para o setor reciclador. O segundo aspecto é que, para
ganharmos escala, é indispensável avançar nos instrumentos
econômicos para o setor que facilitem e estimulem uma expansão
rápida e sustentável. Sem isso, a cadeia terá um gargalo na
ponta final, o que pode colocar em risco todo o sistema." Victor Bicca, diretor da Coca-Cola e presidente do Cempre.