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O êxito da reciclagem demanda um olhar ao mesmo tempo pontual e sistêmico

São muitos os aspectos que devem ser considerados quando se pensa em um Brasil com menos desperdício, mais limpo e mais justo socialmente. Várias dessas questões foram debatidas no evento promovido pelo Cempre com o intuito de encontrar soluções que pensem o país e a cadeia da reciclagem a partir das diferenças e das correspondências entre seus diferentes elos.

Catadores como prestadores de serviço
"Há hoje no Brasil associações de catadores que precisam incrementar sua formação e capacitação. Mas existem outras que já passaram dessa fase e começam a encarar a coleta seletiva como um negócio. Acreditamos que as cooperativas devem atuar de forma autônoma como prestadoras de serviço, firmando contratos com as prefeituras. Para isso, elas precisam se estruturar melhor a fim de assegurar a qualidade de sua operação e gestão, com certificação de seus processos e rastreabilidade dos materiais, por exemplo. Outro aspecto importante é a criação de redes de cooperativas para negociar diretamente com a indústria." Roberto Laureano, do Movimento
Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

A parceria com o Cempre
"O Cempre é uma instituição fundamental e que nos possibilitou, junto com os demais associados, aprimorar a forma de pensar a reciclagem no Brasil e aprimorar nosso próprio pensamento empresarial em torno da reciclagem. A partir dessa experiência, atuamos hoje, na Coca-Cola, sobre três pilares: Mais Hábito, Mais Valor, Mais Coleta. O primeiro trata de estimular a participação da população; o segundo aborda a necessidade de incrementar o valor do material reciclável para incentivar sua separação e coleta; o terceiro enfoca justamente o trabalho que fazemos junto a cerca de 250 cooperativas em nível nacional a partir do conhecimento e orientação do Cempre."
Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade na Coca-Cola Brasil.

O compromisso do varejo
"Apesar de ter ficado tanto tempo em discussão no Congresso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é bastante moderna ao trazer a sociedade brasileira como um todo para dentro dessa discussão. Isso se reflete até mesmo em eventos como este. O setor varejista está presente nos diferentes grupos de trabalho de logística reversa, ao lado dos fabricantes e do governo, o que demonstra nossa preocupação em estarmos inseridos na definição de soluções práticas e eficientes. Recebemos diariamente cerca de 25 milhões de pessoas em nossas lojas de todo o país e temos que levar essa capilaridade em conta na hora de pensar o aumento da reciclagem."
Carlos Ely, diretor de Relações Institucionais do Walmart Brasil, representando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Desoneração da cadeia
"Em primeiro lugar, é primordial que tenhamos uma política clara de desoneração da cadeia de reciclagem. Isso é essencial quando pensamos a indústria de plásticos. Diferentemente da de metal, por exemplo, a indústria de plásticos tem uma necessidade adicional de gerar valor para o plástico reciclável. Dessa forma, poderemos incrementar sua atratividade e, assim, incentivar sua separação, coleta e reciclagem. Temos trabalhado com diferentes alternativas, sendo que o tratamento prioritário é fazer o plástico voltar a ser plástico."
Marcelo Lyra do Amaral, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem.


No segundo bloco do encontro, foi realizada uma mesa-redonda com a participação de jornalistas e a mediação de André Vilhena, diretor do Cempre.

 

Um tema transversal
"O lixo deveria ter um espaço mais nobre nas discussões ambientais, pois é um tema transversal a todos os outros: está ligado à modificação do padrão de produção e consumo, ao limite de uso dos recursos naturais, à eficiência energética, à emissão de carbono, aos desastres naturais e principalmente ao combate à miséria e à desigualdade. Antes visto como um assunto tabu, indigno até mesmo de figurar em manchetes de jornais ou revistas, o lixo vem ganhando espaço, mas ainda precisa ser abordado de forma mais ampla. A meu ver, precisamos de três grandes choques: de governança (na transparência e no modo de lidar com essa questão), de escala (para criar um mercado competitivo e viável para a reciclagem) e principalmente um choque de informação."
Sérgio Adeodato, jornalista e autor do livro que comemora os 20 anos do Cempre.

Pelo fim da indiferença
"Essa relação de indiferença e descaso que temos com os nossos resíduos abre espaço para uma série de problemas, inclusive para a corrupção. Para mudar isso, precisamos empreender sobre o lixo. Se não, nada vai acontecer: vamos separar os resíduos, as cooperativas vão fazer a coleta e teremos depósitos imensos de lixo reciclável. É essencial criar valor para esses materiais e estimular negócios na cadeia de reciclagem. Outra necessidade é romper o preconceito dos prefeitos em contratar o serviço dos catadores. Isso está na lei e precisa ser implementado para agregar ganhos sociais a essa questão. Estamos em ano eleitoral e devemos ficar muito atentos ao cumprimento dos prazos de entrega dos planos de manejo de resíduos sólidos. Sem isso, tudo o que vem depois, inclusive o fim dos lixões previsto para 2014, correrá sérios riscos." Dal Marcondes, diretor de redação da revista Envolverde.

Valor econômico para o lixo
"O lixo tem que ser conectado com a geração de riqueza. É indispensável que as pessoas percebam que o lixo tem um valor econômico. Quando se atrela a questão dos recicláveis à questão econômica, é possível agregar valor aos resíduos. Devemos discutir também o consumo consciente, a produção mais limpa, o design eficiente e a valorização dos catadores. Esses agentes da reciclagem não podem continuar invisíveis pelas ruas do país, pois seu trabalho é vital para toda a cadeia. Nesse processo de conscientização em torno da reciclagem, a internet deve ser aproveitada ao máximo, pois ela nos oferece uma enorme capacidade de mobilizar pessoas e criar movimentos rápidos e em grande escala." Maria Zulmira de Souza (Zuzu), jornalista da Planetária Soluções Sustentáveis.

Consumo excessivo
"Quando analisamos os números relativos ao lixo no país, vemos claramente que é urgente dar um passo para trás e repensar nosso comportamento em relação ao consumo: comprar, jogar fora, comprar novamente, descartar... Isso envolve também a obsolescência programada. Recentemente, uma de nossas repórteres fez uma matéria em uma empresa que possui centros de tratamento de resíduos e soube que, somente em sua unidade de Paulínia, são recebidas 6.250 toneladas de resíduos por dia. Acho que estamos perdendo uma certa medida no mundo. Temos que rever nossas decisões e escolhas pessoais e deixar de lado esse consumo excessivo e sem sentido." Amélia Gonzalez, editora do caderno Razão Social do jornal O Globo.

 

Mudança cultural
"Acho importante discutir a questão do lixo a partir de outra ótica, pois estou convencido de que nossos desafios não são tecnológicos ou de natureza econômica. Devemos tratar esse tema a partir de outro grande desafio – o da mudança cultural. A Política Nacional de Resíduos Sólidos está trazendo isso à tona ao abordar o conceito de responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, o Cempre tem sido um agente indutor de mudanças que ajuda a romper com a inércia e a acomodação de acreditar que o lixo é problema do outro: do governo, do catador, do lixeiro... Essa mudança cultural é difícil e profunda e não resulta de apenas uma ação. Demanda uma série de gatilhos: leis, pressão popular, educação, informação, transparência e regras claras, entre outros. É um processo complexo, mas que não podemos mais adiar." Ricardo Voltolini, diretor-presidente da Ideia Sustentável.

Maior transparência
"Assim como em outros temas, há uma grande carência de transparência em relação ao gerenciamento do lixo no país. Estamos agora num novo ciclo da Política Nacional e para que sua implementação saia do papel, na forma como a lei foi pensada, vamos ter que continuar trabalhando juntos e lutar contra os que querem boicotar essa mudança. Como fundador da Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente, penso que podemos retomar os Conselhos Municipais para que se tornem observadores dos planos de resíduos sólidos. Dessa forma, sua elaboração e execução serão acompanhadas de perto. Não podemos ficar apenas olhando. Nós precisamos acreditar e fazer acontecer!" Mário Mantovani, diretor de articulação da Fundação SOS Mata Atlântica.

Especialização dos catadores
"Nós, catadores, tivemos que aprender, conhecer temas novos e nos especializar. Viajamos, vimos de perto algumas experiências estrangeiras e compartilhamos conhecimento. Nossos esforços têm sido no sentido de nos capacitar para a nova fase das cooperativas com a efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Cempre tem sido um grande parceiro nesse sentido." Severino Lima, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

 

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