Cempre conlcui segunda edição dos microcenários setoriais sobre reciclagem no Brasil

 

A associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre) está divulgando a segunda edição de seus “Microcenários Setoriais”, com panoramas detalhados da reciclagem em diferentes segmentos da economia. Os setores cobertos pelo levantamento são papel e papelão, plásticos, PET, alumínio, embalagem longa vida, vidro, aço e pneus.

A pesquisa reflete o resultado de entrevistas e análises de informações coletadas junto a empresas e entidades como Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Associação Brasileira de Alumínio (Abal), Metalic, Reciclaço, MaxiQuim Assessoria de Mercado, Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).

Esse trabalho atualiza o levantamento periódico feito pelo Cempre no ano passado, indicando a evolução, os caminhos percorridos e as oportunidades existentes em cada um dos oito setores cobertos. A partir do estudo dos setores individualmente e da relação entre os cenários de reciclagem de cada segmento, é possível avaliar a situação da reciclagem no Brasil isoladamente e em comparação com outros países.

Criado em 1992, o Cempre é uma instituição sem fins lucrativos criada para promover a reciclagem dentro do conceito de gerenciamento integrado de resíduos sólidos. O Cempre é formado pelas seguintes empresas: Alcoa, Aleris Latasa, AmBev, Carrefour, Coca-Cola, DaimlerChrysler, Grupo Pão de Açúcar, Klabin, Kraft, Natura, Nestlé, Nivea, Novelis, Paraibuna Embalagens, Pepsico, Philips, Procter & Gamble, Sadia, SouzaCruz, Suzano, Tetra Pak e Unilever.

   
PAPEL E PAPELÃO
 

Segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel/Bracelpa, em 2004, o setor de reciclagem recuperou 3.360,2 mil toneladas de papel, 11,82% a mais do que no ano de 2003. Desse total, 64,2% são caixas de papelão ondulado. Atualmente, há no país 135 fabricantes recicladores - a maioria atua nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. Conforme estimativas da Associação Nacional dos Aparistas de Papel/ ANAP, somente nas regiões Sul e Sudeste, mais de 1 milhão de empregos estão direta ou indiretamente ligados ao setor.

Com esse desempenho, o Brasil continua figurando entre as dez nações com maior taxa de reciclagem de papel no mundo. Na preliminar de 2004 da revista PPI – Pulp & Paper International, o país aparece com 45,8% e mantém a nona posição no ranking mundial desde 2001.

Taxa de recuperação de papéis recicláveis por tipo de geração (em 2004)

Discriminação
Consumo aparente de papel (mil t)
Papéis recicláveis recuperados (mil t)
Taxa de recuperação (%)
Imprensa
482
225,6
46,8
Imprimir e escrever
1.853
512,0
27,6
Embalagem
* kraft
482
260,9
54,1
* papel para ondulado
2.730
2.157,4
79
* embalagem geral
285
21,9
7,7
Papelcartão
480
158,7
33,1
Sanitários
685
-
-
Outros
* cartolinas, papelão e polpa moldada
232
23,7
10,2
* papéis especiais
104
-
-
Total
7.333
3.360,2
45,8

Fonte: Bracelpa

Evolução na taxa de recuperação de papéis recicláveis - de 2000 a 2004

Ano
Consumo aparente de papel de todos os tipos (mil t)
Recuperação de papéis recicláveis (mil t)
Taxa de recuperação (%)
2000
6.814
2.612
38,3
2001
6.702
2.777
41,4
2002
6.879
3.017
43,9
2003
6.716
3.005
44,7
2004
7.333
3.360,2
45,8

Fonte: Bracelpa

   

PLÁSTICOS

 

O índice de reciclagem mecânica de plásticos (transformação dos resíduos plásticos em grânulos para a fabricação de novos produtos) no Brasil é de 16,5%, sendo superado apenas pela Alemanha (31,1%) e pela Áustria (19,1%). A informação é da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos após estudo nacional inédito, elaborado pela MaxiQuim no ano passado, com base nos resultados de 2003, e metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE.

A pesquisa mostra que a indústria da reciclagem de plásticos no Brasil é formada por cerca de 490 empresas recicladoras, 80% delas concentradas na região Sudeste. Juntas, elas faturam cerca de R$ 1,22 bilhão e geram 11.500 empregos diretos. Têm capacidade instalada para reciclar 1,05 milhão de toneladas por ano, consomem 777 mil toneladas e produzem 703 mil toneladas de plásticos reciclados. A campeã na reciclagem de plásticos pós-consumo é a região Sudeste com 58%, seguida pelas regiões Sul (24,9%) e Nordeste (14,5%).

É a primeira vez que se compara a reciclagem de plásticos no Brasil com a dos países desenvolvidos e os resultados são surpreendentes. Isso porque o índice brasileiro está muito acima de nações como Grécia (1,95%), Portugal (2,9%), Irlanda (7,8%), Inglaterra (8%), Suécia (8,3%), França (9,2%) e Dinamarca (10,3%). Atualmente, menos de 5% dos municípios brasileiros (somente 237) são dotados de coleta seletiva de resíduos.

Geração de plástico pós-consumo (em ton/ano)

Tipo de resíduo plástico
Centro - Oeste
Norte
Nordeste
Sul
Sudeste
Brasil
PET
24.979
22.903
84.953
59.747
187.816
380.398
PEAD
24.714
22.660
84.053
59.113
185.824
376.364
PVC
6.772
6.209
23.030
16.197
50.916
103.124
PEBD/
PELBD
39.851
36.539
135.534
95.320
299.641
606.885
PP
32.935
30.197
112.012
78.777
247.637
501.558
OS
8.807
8.075
29.952
21.065
66.217
134.116
Outros
tipos
4.948
4.537
16.829
11.836
37.207
75.357
Total
143.006
131.120
486.363
342.055
1.075.258
2.177.802

Fonte: MaxiQuim Assessoria de Mercado (2004)

Reciclagem de plástico pós-consumo por tipo de resíduo plástico (em ton/ano)

Tipo de resíduo plástico
Centro - Oeste
Norte
Nordeste
Sul
Sudeste
Brasil
PET
0
0
23.221
37.472
88.615
149.308
PEAD
3.742
0
10.817
14.177
33.871
62.607
PVC
0
0
4.903
4.669
7.481
17.053

PEBD/
PELBD

3.575
0
5.796
24.198
46.272
79.841
PP
1.618
0
7.480
5.383
26.558
41.039
OS
0
0
0
2.753
3.550
6.303
Outros
tipos
0
0
0
925
2.058
2.983
Total
8.935
0
52.217
89.577
208.405
359.134

Fonte: MaxiQuim Assessoria de Mercado (2004)

   
PET
 

* Em 2004, 360 mil toneladas de resina PET foram transformadas em garrafas, o que significa um crescimento de 9% na produção de embalagens entre 2003 e 2004.

* O índice nacional de reciclagem passou para 48%, um dos maiores do mundo, totalizando 173 mil toneladas - um crescimento da ordem de 22% em relação a 2003.

* Desde 1994, o crescimento da reciclagem de PET no Brasil foi de 1.200%.

Produção x Reciclagem

Ano
Consumo para embalagens
Reciclagem pós-consumo/índice
2001
270 ktons
89 ktons = 33%
2002
300 ktons
105 ktons = 35%
2003
330 ktons
141,5 ktons = 43%
2004
360 ktons
173 ktons = 48%
   
ALUMÍNIO
 

Pelo quarto ano consecutivo, em 2004, o Brasil bateu recorde mundial de reciclagem de latas de alumínio para bebidas. O país atingiu o índice de 95,7%, o que significa 6,7 pontos percentuais acima de sua marca anterior, de acordo com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Foram recicladas 121,3 mil toneladas, o equivalente a 9 bilhões de latas.

A compra de latas usadas injeta R$ 450 milhões por ano na economia nacional. A estrutura comercial já está estabelecida em todas as regiões. Nos cinco últimos anos, o que se observou foi o crescimento da participação das cooperativas e associações de catadores – de 43% para 52%. Nesse período, também houve maior engajamento da classe média, sendo que os condomínios e clubes são canais de coleta que cresceram de 10% para 19% em participação.

Atualmente, o mesmo alumínio de uma lata que sai da fábrica leva apenas 30 dias, em média, para voltar ao mercado como matéria-prima de uma nova latinha. A embalagem é inteiramente reciclada e o processo economiza 95% da energia elétrica necessária para a produção do metal a partir da bauxita. Para se ter uma idéia, o volume de energia poupada em 2004 – cerca de 1.700 GWh - é suficiente para abastecer uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes como Campinas, no interior de São Paulo. Com a reciclagem, deixou-se de extrair 600 mil toneladas de minério no ano passado.

Vale destacar também que está sendo ampliado o aproveitamento de outras sucatas de alumínio. Foram recicladas, em 2004, cerca de 270 mil toneladas – o que representa 36% de seu consumo doméstico, ficando o Brasil quatro pontos percentuais à frente da média mundial (de 32%).

Discriminação
2003
2004
Latas consumidas (bilhões)
9,3
9,4
Latas recicladas (bilhões)
8,2
9
Índice de reciclagem (%)
89
95,7
Recursos gerados (milhões de reais)
n.d.
R$450
Empregos gerados
160 mil
160 mil

Fonte: Abal

   
EMBALAGEM LONGA VIDA
 

* Em 2004, a taxa de reciclagem de embalagens longa vida no Brasil foi de 22,1%, totalizando 34,6 mil toneladas, um incremento de 16,32% em relação a 2003. Para 2006, a meta é atingir 25%.

* O Brasil é líder nas Américas em volume de embalagens longa vida recicladas. No ranking mundial, perde apenas para Alemanha e Espanha que têm índices de reciclagem de 65% e 30%, respectivamente.

* A reciclagem de embalagens longa vida gera cerca de 500 empregos diretos.

* A Tetra Pak investe aproximadamente R$ 5 milhões por ano em projetos de incentivo à coleta seletiva, desenvolvimento da reciclagem e educação ambiental.

 
2003
2004
Volume de produção (mil toneladas)
149,4
156,8
Volume reciclado (mil toneladas)
28,3
34,6
Índice de reciclagem (%)
19
22,1

Fonte: Tetra Pak

   
VIDRO
 

A reciclagem do vidro vem apresentando crescimento sólido no país. Conforme dados da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), o índice de reciclagem de vidro em 2004 subiu dois pontos percentuais com relação a 2003, atingindo 47%, um volume de 423 mil toneladas.

Os recursos investidos na atividade totalizaram R$ 800 mil e os ganhos atingiram R$ 67 milhões, 19,64% a mais do que em 2003. A grande diferença entre o número de trabalhadores diretos e indiretos (1,2 mil x 10 mil) é que o último inclui pessoas que coletam outros tipos de materiais e as que têm outros trabalhos. Vale lembrar que, com um quilo de vidro, se faz outro quilo de vidro, com perda zero e sem poluição para o meio ambiente. A reciclagem também permite poupar matérias-primas naturais como areia, barrilha e calcário.

 
2003
2004
Capacidade instalada de produção (mil toneladas)
1.293
1.277
Empregos na produção (mil)
5,6
5,4
Faturamento (R$ milhões)
1,034
1,109
Volume reciclado (mil toneladas)
400
423
Índice de reciclagem
45%
47%
Recursos investidos para reciclagem (R$ mil)
700
800
Recursos gerados com a reciclagem (R$ milhões)
56
67
Empregos gerados na reciclagem (mil)

1,2 (diretos)
10 (indiretos)

1,2 (diretos)
10 (indiretos)

Fonte: Abividro

   
AÇO
 

No ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o país produziu 32,9 milhões de toneladas de aço (quase 6% a mais do que em 2003). O uso de sucata na produção de novo aço se manteve estável, representando 26% (o equivalente a 8,5 milhões de toneladas).

A Metalic, pertencente à CSN, é a única produtora de latas de aço de duas peças (embalagem produzida sem soldas ou junções, acrescida da tampa) para bebidas da América Latina. A empresa coleta as embalagens e, por meio de outra empresa do grupo, a Reciclaço, compra a sucata, estimulando os catadores e sucateiros a trabalhar com a embalagem. Em 2004 foram recicladas 7 mil toneladas, volume 40% maior do que em 2003. O primeiro semestre de 2005 já registrou a reciclagem de 4,5 mil toneladas.

Mercado de aço

  2003 2004
Aço produzido (milhões de toneladas)
31,1
32,9
Sucata utilizada para produção de novo aço
26%
26%
Volume de sucata usada para produção de aço (milhões de toneladas)
8,1
8,5

Fonte: IBS

Mercado de latas de aço para bebidas

 
2003
2004
Volume reciclado (mil toneladas)
5
7
Evolução do índice de reciclagem
78%
88%
Empregos gerados (mil)
55 (diretos e indiretos)
55 (diretos e indiretos)

Fonte: Metalic/Reciclaço

   
PNEUS
 

Os números da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) referentes à reciclagem de pneus em 2004 indicam uma melhoria significativa no balanço do setor: 63 mil toneladas, 80 milhões de pneus de passeio (equivalente a 26,5% dos pneus inservíveis disponíveis para coleta com destinação ambientalmente correta) e investimento de R$ 20 milhões em programa específico para recolher os pneus inservíveis em todo o país.

O programa da Anip ocorre por meio de parcerias com distribuidores, revendedores e prefeituras. Cerca de 80 municípios já aderiram, com a implantação de centros de recepção de pneus inservíveis – os “ecopontos” – que são abastecidos pelo serviço de limpeza pública, além de borracheiros, mecânicos e sucateiros.

Na operacionalização, a Anip oferece apoio técnico para as prefeituras construírem as instalações dos postos de coleta, transporta os pneus até as empresas de trituração e direciona os pneus triturados para destinação final (como combustível nas fábricas de cimento, na construção civil, solado de sapato, borracha de vedação, piso industrial e tapete para carro). Outro resultado positivo do programa da Anip é a contribuição para regularizar as atividades das empresas laminadoras que atuam na informalidade, possibilitando seu licenciamento junto ao Ibama.

  2003 2004
Recursos investidos p/ reciclagem de pneus inservíveis (R$ milhões)
6
20
Volume destinado p/ reciclagem (mil toneladas)
36
63
Número de pneus de passeio reciclados (milhões)
48
80
Volume de panus produzidos (milhões)
49
52
Volume de pneus trocados (milhões)
22,6
24,6
Pneus usados que retornam ao mercado (%)
---
46,8
Penus inservíveis do total que retorna ao mercado (%)
---
53,2
Pneus inservíveis disponíveis para a coleta e destinação ambientalmente correta (%)
---
26,5

Fonte: Anip