A abertura de um caminho para a sustentabilidade ambiental e a mudança de comportamento da população em relação à sua responsabilidade na geração e descarte dos resíduos sólidos. Estes são, de acordo com Nivaldo Soares de Almeida, secretário de Meio Ambiente e Controle Urbano, os principais benefícios gerados pelo programa de coleta seletiva criado pela prefeitura de Crato em parceria com a Associação dos Agentes Recicladores de Crato (AARC).
Com cerca de 120 mil habitantes, esse município do interior do Ceará vem investindo no programa desde 2005, quando foi feito o cadastramento dos catadores que trabalhavam no lixão e pelas ruas da cidade, de forma desorganizada. A partir de então, a prefeitura, juntamente com a Universidade Regional do Cariri, tem contribuído para o desenvolvimento da AARC. “Fizemos, na realidade, uma ação socioambiental, pois começamos o processo com a organização dos catadores para retirá-los de uma condição desumana de trabalho, coletando materiais recicláveis diretamente no lixão e nas ruas sem qualquer proteção à sua saúde e com baixíssima renda mensal”, conta o secretário.
Hoje, graças às parcerias e ao trabalho do núcleo de educação ambiental liderado pela professora Vanda Lucia Roseno Batista, cerca de 5% dos domicílios da cidade são beneficiados pela coleta seletiva. Embora ainda modesto, esse total permite a retirada média de 10 toneladas/mês de recicláveis que, além de terem destinação adequada, geram emprego e renda para vinte catadores. “A prefeitura mantém um convênio com a AARC, por meio do qual proporciona incentivo financeiro como bolsa pecuniária e, até o ano passado, arcava com as despesas do aluguel da sede da associação. Hoje, a AARC possui sede própria construída em um terreno cedido pela prefeitura que também destina todo o papel usado em suas repartições à Associação e oferece capacitações, palestras, assessoria e outros serviços disponibilizados pelas secretarias municipais”, detalha Nivaldo Soares de Almeida.
A AARC, por sua vez, cuida da coleta, triagem e comercialização dos recicláveis. A sensibilização inicial da população foi feita, durante oito meses, por vinte alunos bolsistas da Universidade Regional do Cariri - URCA que atuaram como agentes ambientais, apresentando de porta em porta, juntamente com os catadores, a proposta da coleta seletiva. Hoje, a divulgação continua por meio de rádio, palestras, oficinas e gincanas nas escolas, entre outras iniciativas.
Quanto à solução definitiva para o lixão do município (exigência da Política Nacional de Resíduos Sólidos), Crato faz parte do Consórcio Regional do Cariri Central, que reúne mais nove cidades do entorno para o compartilhamento de aterro sanitário e usinas de reciclagem, entre outros equipamentos. “Dessa forma, vamos enfrentar juntos as três maiores dificuldades encontradas para a efetivação da coleta seletiva: recursos financeiros, formação das redes de coleta e escoamento dos materiais recicláveis. Queremos ampliar a coleta seletiva e, para isso, estamos abertos a novas soluções e parcerias”, explica Nivaldo.
Para saber mais: http:// www.crato.ce.gov.br