ONU elege 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas




Por que um ano para homenagear o cooperativismo? Quais os benefícios que as cooperativas geram para a economia? É possível pensar no cooperativismo como um pilar para o desenvolvimento sustentável? Com a palavra, o represente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Hélder Muteia:

O que levou a ONU a declarar 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas?

Muitas vezes, as Nações Unidas assinalam um dia, ou um ano inteiro, para uma reflexão profunda sobre um tema ou uma realidade específica. O cooperativismo já merecia um reconhecimento desse nível. Por isso, a Assembléia das Nações Unidas declarou 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. É uma forma de atrair a atenção para a contribuição das cooperativas para o desenvolvimento socioeconômico da humanidade, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza, à geração de postos de trabalho e à integração social.

Em que medida a escolha de um tema para o ano ajuda a fomentar as discussões a seu respeito?

O tema escolhido para o ano é “Empresas cooperativas ajudam a construir um mundo melhor”, como uma forma de captar a importância das cooperativas no desenvolvimento da humanidade e o seu caráter universal. Elas se aplicam a todas as realidades e contextos no mundo. Por essa razão, o tema suscita muito interesse e as pessoas terão neste ano a oportunidade de olhar a sua volta e constatar quão presentes as cooperativas estão no nosso dia a dia, produzindo bens materiais e serviços de valor inestimável. O mundo poderá também tomar consciência da inquestionável natureza social do ser humano. De que não vivemos de forma isolada. Que nos conectamos em laços múltiplos, incluindo aqueles que nos permitem produzir de forma organizada e coletiva.

Quais as ações sugeridas pela ONU relativas ao tema?

Pela natureza, diversidade e complexidade do tema, as Nações Unidas definiram os objetivos principais, deixando as ações mais específicas e concretas a cargo dos diversos atores dentro do sistema das Nações Unidas, outros organismos internacionais, entidades governamentais dos países membros e sociedade civil, particularmente as próprias cooperativas e suas corporações. O movimento cooperativo tem um papel privilegiado. Ele deve chamar para si maior protagonismo, destacando suas maiores conquistas, exigindo maior e melhor reconhecimento e reiterando a sua capacidade e vontade de fazer crescer o movimento cooperativo. Acima de tudo, espera-se que o debate aberto e franco seja a tônica principal.

Que objetivos foram estabelecidos para o ano?

Há muitos objetivos que a Assembleia das Nações Unidas se propôs a alcançar neste ano. Eles se organizam em três grandes grupos: o primeiro na linha de permitir que o mundo ganhe consciência da importância e contribuição das cooperativas para o desenvolvimento econômico, social e cultural e de como elas poderão dar um contributo fundamental para os Objetivos do Milênio; o segundo no sentido de promover a formação e expansão das cooperativas nos diferentes quadrantes da vida das comunidades; o terceiro no intuito de encorajar os governos a adotarem um quadro legal e políticas públicas que favoreçam a criação e atividades das cooperativas. A FAO procurará focalizar as suas ações no combate à fome, subnutrição e miséria. Será assim importante coordenar com os governos ações que visem incentivar, desenvolver e facilitar a atividade das cooperativas. No meio rural, as cooperativas terão um papel importante no acesso aos recursos naturais como a terra e a água, no acesso a tecnologias que respondam às necessidades dos agricultores e no acesso ao mercado e ao crédito.

Qual a relação das cooperativas com a consecução dos Objetivos do Milênio?

As cooperativas garantem maior participação das pessoas nas atividades que visam alcançar os Objetivos do Milênio. Asseguram um desenvolvimento inclusivo e com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Ajudam a combater a pobreza, a gerar e distribuir riqueza, atuam de forma privilegiada no campo, auxiliam no estabelecimento do equilíbrio entre os ganhos econômicos, sociais e ambientais, contribuem para consolidar a democracia e dignificam e dão poder à mulher e à juventude. Quando uma pessoa está filiada a uma cooperativa, o seu capital social é acrescido e isso lhe permite obter crédito, seguro e mercado em condições mais favoráveis. Assim, as pessoas ficam mais preparadas para contribuir no combate à pobreza e alcançar também os demais Objetivos do Milênio.

De que forma as cooperativas contribuem para o desenvolvimento sustentável?

Como disse anteriormente, as cooperativas ajudam a promover um equilíbrio entre os ganhos econômicos, sociais e ambientais. Tratando-se de organizações que não visam apenas o lucro, e em que se somam várias sensibilidades e pontos de vista, as cooperativas têm sempre em vista o bem comum e a dignificação de nossa condição como seres humanos. Hoje, vivemos uma situação que nos obriga a repensar nossa relação com a base de recursos que sustenta a vida no planeta. A água torna-se cada vez mais escassa pelo uso descontrolado e pela contaminação, as florestas estão sendo devastadas e os solos, degradados. As cooperativas têm potencial para reverter esse quadro. Este deverá ser um dos temas mais debatidos no ciclo de atividades deste ano.

Para saber mais: http:// www.onu.org.br


 

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